Às vezes os olhos se cansam
de olhar para os ponteiros
que marcam as horas...
Às vezes as horas se cansam
de olhar para os olhos
que marcam os ponteiros...
Às vezes os ponteiros se cansam
de olhar para as horas
que marcam os olhos...
Às vezes os olhos, as horas e os ponteiros
cansam-se tanto de voltar-se um para os outros
que a noite é pequena para tanto sono...
Às vezes o ardor é tanto
e o desejo de xingar em igual tamanho
que os ponteiros do relógio
são como adaga ferindo os olhos
enquanto as horas passam
e o resto é pranto.

3 Comentários:
O danado é que, mesmo que pudéssemos parar o tempo real e o que marca o relógio, pararíamos o primeiro e segundo não. É bom ver os ponteiros se mexerem - sinal que ainda temos juízo. Já o tempo real gostaríamos de paralizá-lo, vez em quando: na hora do gol esperado, na hora H ouvindo gemidos de amor, no aperto de mão, no olhar que apaixona... Ora, se nos apaixonamos pelos ponteiros do relógio que regulam a vida, que dizer do olhar penetrante, verde e cristalino que chega a chorar por nós? E ainda somos capazes de trocar de relógio... É cada uma!
Na dança dos ponteiros vamos trançando nossas vidas, com o ardor, a dor e os amores possíveis, ou não...
Nunca fui amante de juízo, penso que juízo cerceia mais que qualquer ponteiro, que qualquer relógio. Trocaremos sempre os relógios, na esperança de que as próximas horas nos tragam o que nossa ânsia arde, mesmo que não saibamos bem o que é.
Como amante declarada de palavras e,declamante assídua de poesias, as tuas, sempre me tocam os acordes da existência. Por favor, mantenha-se exercendo este ato de amor e ofício que é escrever, pra deleite nosso, que lemos você.
Êha, companheiro1 Parou por quê? Será que o verdão te machucou tanto assim? Dá notícia, cumpad!
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