O post " Política, bonitinha mas ordinária" do meu amigo Roberto, (recomendo) http://robertocarloscosta.wordpress.com/ , acabou me dando a oportunidade de discorrer sobre esse assunto, pricincipalmente neste momento de disputa eleitoral. Assim, abaixo o meu comentário ao texto do amigo:
" Confesso a você que gostaria muito de assinar embaixo da totalidade das suas palavras nesse texto, mas como bom esquartejador das entrelinhas me permito parabenizá-los por elas e compreender também a angústia nelas contida. No entanto - e na vida sempre há "um no entanto", ao perscrutar e viver atentamente ligado nos últimos quarenta anos a observar a política em nosso país, e comparar décadas atrás com o agora, não posso deixar de apontar que algo está mudando no comportamento do nosso povo. No de alguns políticos - grande parte - e principalmente na massa.
Nosso povo hoje já não é bobo e nem cego. É um povo pragmático. Não acredito que se deixe mais seduzir pela unidade do par de meias, ou pela meia nota de dinheiro rasgada para ser complementada no pós-voto. Até pq as coisas mudaram muito. A corrupção aparece lascada. Mas aparece.
Antes se tingia de uma hipocrisia incomum, acobertada pela mídia. Hoje, milhões ascenderam a um outro patamar, saindo da linha da pobreza por força de atitudes administrativas do atual governo, o que não justificam por si só que se deva deixar de punir os corruptos.
Há alguns anos, vivíamos com as calças arriadas para o FMI e outras organizações estrangeiras. Hoje tratamos de igual para igual. Antes devíamos dinheiro, hoje emprestamos. Antes, o filho do pobre tinha que pagar faculdade, hoje muitos podem se benficiar de um PROUNI, que eu, como professor, considero uma iniciativa revolucionária no campo da educação ao conciliar interesses econômicos do capital às demandas educacionais no país.
Enfim, há uma plêiade de circunstâncias novas no atual momento da nossa política que me incita a ter esperanças de um novo Brasil, saído dessa forja de luta do povo, e não com a verborragia arrogante dos sorbonáticos e harváticos delirantes de plantão, que pensam em voltar para continuar aquela política de submissão.
Creio haver ainda muitos erros pelo caminho, e tb muitas discordâncias sinceras em relação ao corrente modelo de governar, mas os avanços vieram, os avanços chegaram, podem até ser poucos, mas são muito mais do que o legado por aqueles que um dia governaram com um pires na mão para o público e suiçados fragorosamente no particular, e com o beneplácito da imprensa que hoje se alimenta de denuncismos e de horror à massa que tem cheiro de suor e sangue, como é dito aqui em São Paulo para aqueles que não estão com Serra.
Felizmente, além dessa massa de malditos que somos nós os pobres, temos tb pessoas que estão na vanguarda dessa luta, ao velar com extremos cuidados os nossos rumos, com a palavra escrita em blogs como o do amigo Roberto, que instigam o debate para que cresçamos juntos e que lá no final se compreenda definitivamente que não é a política que é ordinária, mas sim ordinários são os que a fazem para bem de si próprios e em detrimento do coletivo.

1 Comentário:
Adiciono o lembrete, amigo, do quanto de sabedoria é forjada a cultura política da sociedade brasileira. Não fosse assim, os pobres não se reconheciam como famílias, membros comunitários, gente que participa efetivamente de cada passo dado pela insana Economia. Os medalhões tentam fazer política mediana para médios e ricos enquanto, para os menos favorecidos, as migalhas do imediatismo eleitoreiro. Um dia a casa cai! - Como, aliás, já veio a cair um dia, com a indigesta, para alguns mais preconceituosos, ascensão de Lula à presidência. É dessa miopia política que tanto falo em vários pensamentos que externo.
Obrigado pelo comentário.
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