Em 1º de maio de 2001 escrevi esse post. De lá para cá, houve muitas mudanças, mas sempre há o perigo da volta, por isso, eis aí novamente o texto:
"Num país em que feriados e mais feriados proliferam como coelhos na alcova, a impressão que se tem é que o 1º de maio é apenas mais uma dessas datas inventadas para se ficar de papo para o ar.
E com certeza o menos intolerante de nós vai considerar tudo isso como uma verdade irrepreensível, dado o caráter que se impõe às comemorações aqui nessas terras tupiniquins, onde o verde lembra palmeiras, mas a maioria é rubro-negra, quando não corinthiana cem por cento.
E com certeza o menos intolerante de nós vai considerar tudo isso como uma verdade irrepreensível, dado o caráter que se impõe às comemorações aqui nessas terras tupiniquins, onde o verde lembra palmeiras, mas a maioria é rubro-negra, quando não corinthiana cem por cento.
Mas eu aprendi desde cedo que o 1º de maio é um feriado diferente.
Diferente porque nada que se refere a ele pode ser comprado no supermercado ou nas prateleiras de um centro de consumo qualquer.
O 1º de maio homenageia o trabalho e o descanso que ele traz enquanto feriado é justamente o período conquistado pelo trabalhador para meditar fortemente sobre as próprias condições de trabalho dentro desse processo globalizante da economia mundial em que postos de empregos estão sendo suprimidos em cascata para dar lugar à tecnologia galopante que alija do mercado muitos braços ainda fortes e juvenis.
Diante disso, não há como ficar inerte.
É preciso raciocinar, buscar saídas, compatibilizar o progresso da ciência à necessidade de coletivização da emoção humana em parâmetros que não faça o homem ter de fugir do próprio homem, dentro da jaula de sua residência particular, ou blindado em carrões luxuosos para fugir dos semáforos entontecidos de tanta vontade de estilhaçar a própria emoção de se ser livre.
Simplificando o argumento, se as nossas elites econômicas e intelectuais não souberem avaliar a grandiosidade do patrimônio que é a massa trabalhadora de nosso país;
Se insistir em matar a galinha dos ovos de ouro em razão da ganância patológica que enche de sede de sempre amealhar e mais amealhar;
E se não se conscientizar de que ela mesma enquanto elite pode estar destruindo a oportunidade de ser mais humana com os menos favorecidos, claro que também não poderá usufruir de nenhuma humanidade em troca e ainda vai ter de suportar os perigos dentro de seus muros como resultado da incoerência em suas próprias fileiras.
Na verdade, porém, hoje tanto o filho da elite quanto o filho da prole viajam trajetórias paralelas quando se trata de desorientação.
E nessa falta de norte, tudo aquilo que brilha pode até ser ouro, mas a maior probabilidade é a de que seja o risco da ignorância silvando o ar e ofuscando a visão daqueles que nunca quiseram enxergar.
Assim, com os olhos vendados, fica impossível separar o joio do trigo. Sem contar que é preciso querer separar o joio do trigo...

1 Comentário:
Existem textos que por mais antigos sejam,se encaixam perfeitamente em nossa realidade....textos de visionários....Feliz 1° de Maio Trabalhador.
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