Sinceramente, não sei o que coelho tem a ver com chocolate, e muito menos o que esse orelhudo tem a ver com Páscoa. Nessa audácia consumista tudo se esconde e tudo se mostra, segundo os ditames da conveniência, o que talvez deva explicar a relação entre um e outro.
De qualquer forma, seja a explicação que for, não me convence. E também não creio que alguém esteja preocupado em me explicar alguma coisa. Estou falando disso só para entrar no tema “chocolate”. E o faço também aproveitando que estamos já na Páscoa. Vamos lá:
Tereza era um senhora que conheci quando esta era a copeira de uma empresa de construção civil que na época atuava na área da Replan. Essa senhora era ainda jovem e com traços extras que a classificavam como quase bonita.
E como toda mulher nessa faixa de idade, a balança era seu pior inimigo. De tudo ela fazia para não engordar. E dizia, cheia de pena de si mesma: “São 660 calorias, cada barra tem 660 calorias”, choramingava ela o dia inteiro, ao confessar sua atração incomensurável pelo tal de chocolate.
Mas era forte.
Para manter-se atleticamente magra ela renunciava a tudo, inclusive ao afã de deglutir a preciosa guloseima. Mas não deixava de reclamar: “Uma barrinha só, uma barrinha só, 660 calorias...Oh Meu Deus! Que vontade de mastigar um chocolatinho...”
E tudo isso no ouvido do Mestre de Obras, que já não se agüentava mais de ouvir tantas lamúrias. E ela continuava, sem dó: “Um chocolatinho, um chocolatinho, 660 calorias... Oh, Deus!!!”. E continuava sempre magrinha, ao contrário de seu marido, o Fredão Buriti, que cada vez ficava mais redondo...
Num dia em que muito chovia, atrapalhando o andamento normal dos trabalhos na construção, achavam-se ali na copa o Mestre de Obras, eu e a Tereza. Na terceira lamúria dela, o homem correu até sua sala e veio abanando uma revista. “Olha, dona Tereza, tenho aqui a solução para seu caso”.
E mostrou uma reportagem capitaneada por uma manchete que dizia o seguinte: “Perca 660 calorias por dia" . E na linha fina, logo abaixo: “Pesquisadores apontam que uma relação sexual normal faz consumir 660 calorias”. E a reportagem em si, nas linhas seguintes, desfiava argumentos, provando a veracidade do que informava no título da matéria.
Tereza quase engoliu a revista de tanta curiosidade. Depois, ensaiou um sorriso matreiro e sussurrou: “O Fredão não perde por esperar...”
Dessa forma, acabaram-se as lamúrias da Tereza. Todo dia ela, lá estava ela, deglutindo a sua barrinha de chocolate... Mas como “é uma barra” contentar-se apenas com uma barra, logo começamos a vê-la com duas barras por dia, depois três, e enfim quatro...
E nada de engordar!
Ficamos todos estupefatos com aqueles resultados, mas respeitamos o silêncio dela, disfarçado naquele matreiro sorriso de quem sabe o que faz...
Dois meses depois, por ocasião do pagamento, Tereza convidou-nos para um churrasco em sua casa. E lá fomos, eu, o Mestre de Obras Adelmo, o motorista Valdir, o almoxarife Roque e o Administrador Bolinha. E lá descobrimos porque Tereza conseguia “detonar” quatro barras de chocolate por dia sem engordar. É que o Fredão já não era mais o Alfredão e sim o Fredinho...magrinho..magrinho..magrinho...fininho..e fim!

5 Comentários:
Muito bom o texto! Ri muito. Parabéns pelo Blog.
Grato, André, pelo incentivo. A intenção foi colocar um pouco de graça nessa época tão sem graça que estamos vivendo, com mendigos sendo pichados enquanto dormem, jogadores de futebol que se recusam a fazer uma visitinha solidária a crianças necessitadas principalmente de um pouquinho de afeto, e de um governador que literalmente manda bater em professores.
Por isso, rir é bom. Para dar força aos enfrentamentos do dia a dia.
hahahahaha...fiquei aqui imaginando como seriam esses "traços extras que a classificavam como quase bonita"...rs
E quem não gosta de chocolate?...rs
Muito bom o texto!!!!
Ainda bem que avisaram a Tereza rs
Escrito de forma muito divertida esse seu texto. Parabéns.
Grato pelo comentário, Carol. Pessoas como vc é que nos incentivam a continuar rabiscando algumas ideias.
Postar um comentário