A palavra é matéria-prima para quem escreve e elemento de apreensão, compreensão e transferência para quem lê. Somente aquele que executa um bem-ler pode apreender e compreender os devaneios poderosos produzidos pela ação da palavra.
É uma mágica que faz descobrir mundos que estão além do que os olhos enxergam, e a partir daí criar uma realidade nova, um novo mundo, ou talvez um mundo que apenas ainda não tenha sido simplesmente enxergado.
Quem lê encontra o novo e em interação com este pode reescrever o velho.
A transformação é fruto da ação mágica das palavras dispostas em textos mágicos que trazem viagens maravilhosas até para aqueles que literalmente nunca deixam de pisar o mesmo chão.
A quem lê nunca falta chão para pisar e ao mesmo tempo tantas asas para usufruir e voar. E quem escreve produz o encanto de vestir e dar asas. Quem escreve oferece a oportunidade do compartilhar voos para além do crível e, dentro desse incrível compartilhamento, formular novas propostas quem têm o poder de avalizar ou não as velhas teses.
Quem produz textos inventa caminhos. Quem lê enxerga caminhos em meio às pedras.
E principalmente, quem lê inventa caminhos por entre os caminhos já inventados e transita por eles como se pisasse nuvens. E pisando nuvens, descobre como pisar seu chão. E mais ainda, descobre como transformar seu chão.
E assim, o menino e a menina que leem se transformam também no menino e menina que escrevem. Pisam o chão e voam. Voam e pisam seu chão mágico. Leem a história de outros meninos e meninas e acabam por escrever a própria história.
Apenas aquele que aprende a cavalgar estrelas é que tem o dom de nos ensinar a pisar o nosso próprio chão.

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