Pequenas crônicas que retratam a realidade tanto dentro das escolas quanto dentro do Brasil, este meu Brasil brasileiro e bem-humorado Brasil...

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Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

Um homem, um bicho, um poeta...

Há um bicho que anda e que chamam de homem. Há um animal que pensa e que chamam de homem. Todo bicho é um animal, mas nem todo animal é um bicho. Assim, nem todos os andantes são homens, e nem todos os animais pensam, muito embora haja homens que também agem sem pensar.

Todo bicho é um animal predador e eu fico triste, cabisbaixo, quando um homem se revela apenas bicho. Ao assumir essa posição, o homem se transforma num mero predador. E como maior deles, vira predador de si mesmo enquanto bicho.

Ah..mas o pior dos animais não é um bicho. É um homem. É um homem que vira bicho enquanto assume o papel de predador e ao mesmo tempo revela-se racional quando planeja a ação de envolver o outro na sua armadilha de predar.

O bicho que pensa é o pior dos animais porque ao pensar torna-se destrutivo sem precisar fazer força, sem engalfinhar-se numa luta mortal contra o outro animal. O bicho que pensa age nas entrelinhas da ação meticulosamente engendrada, esgueira-se pelas sombras e surpreende pelas costas a presa desavisada.

E a arma mais letal que esse tipo de bicho usa para fazer sucumbir sua vítima é a letra. A palavra. O verbo.

Com a letra no papel ou na boca, ou no monitor do PC, esse bicho serpenteia entre as colunas da ação humana e produz as verdades que quer produzir suas nas cabeças e mentes de terceiros. Esse predador prende, escraviza e mata sua presa ao surrupiar-lhe o direito de pensar por si. E aí o bicho que anda e pensa subjuga o bicho que anda e não.

E o bicho que anda e não pensa, mesmo forte de músculos, viril, másculo, vira marionete do outro bicho, este ser maquiavélico e manipulador da letra a ponto de fazer desta a adaga fina que penetra lancinante no cérebro desbotado dos esmoladores de ação.

Creio ser papel do poeta dar à palavra o floreio virginal do ato de voar com os pés pregados no chão. Fazer esvoaçar os sonhos e as esperanças de um bicho que precisa ir além do animal para ser divinamente homem. E como homem marcado pelos tentáculos do divino, fazer escolhas que sejam mesmo suas e não sugeridas malandramente para que simplesmente assim pareçam.

2 Comentários:

Tânia "Clorofila" disse...

Parabéns por desenvolver tão bem este tema.

Seria um pecado acrescentar algo e, na verdade, não há nada a ser acrescentado. Basta ler, sentir e refletir...

Um abraço

Renan disse...

Pior é quando aquele homem da o direito ao bicho homem de tirar seu livre arbítrio e suas opniões....tentando mostrar que suas palavras são as únicas e as certas,consegue ludibriar o homem....

Sabias palavras mestre...

 
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