Vi uma D. Lindu acordar de noite numa chuva atroz e enfrentar o alagamento de sua própria casa com filhos nos braços. Vi minha mãe, D. Délia, também me carregar no colo para que eu não pisasse aquela água suja e fétida da chuva que entrava em casa toda vez que chovia mais forte.
Assim, em sucessivas cenas, D. Lindu não era Lindu, era as Délias, as Marias, as Joanas, as Terezas. Dona Lindu era as mães que repetidamente grassam no cotidiano desse país e que se você for ver o filme vai ali também perceber a presença de sua própria mãe.
Mesmo que ela nunca tenha morado no Nordeste, mesmo que não tenha tido marido bêbado, mesmo que nunca tivesse a casa alagada, mesmo que nunca tivesse escolhido grãos de café...porque Lindu também preocupada com estudo dos filhos, com futuro, com escolhas certas...
O filme diz, naquela fotografia real dos nossos dias, que o Brasil é a soma de todas as mães que labutam diariamente para que seus filhos tenham o sucesso que almejam. E por isso, nós os filhos, somos comuns, não somos mitos, não somos ídolos. Mitos são essas mães. Ídolos são essas mães.
E mesmo comuns, alguns de nós, diferenciados como Lula, não chegamos a mito, não chegamos a ídolo.
Assim, erra quem diz que o filme tem caráter eleitoral. O filme é só uma obra de arte. As lágrimas que o público verte não são lágrimas por Lula ou Lindu, mas são lágrimas de quem se vê refletido ali naquelas considerações singelas que só a arte pode nos oferecer.
E se alguém aposta no filme para ganhar votos, perdeu o lance. Porque na verdade poucos filhos do Brasil o verão. É um filme que infelizmente será exibido apenas, em sua maioria, para aqueles que gostam do Lula e para quem o odeia.
Um pedido: se não assistir ao filme, não teça comentários pela cabeça dos que não gostam do Lula.
Mas se você for vê-lo, veja-o como ele realmente é. Arte. E como homem de arte, sugiro que o veja com essa premissa. Esqueça o Lula presidente. Esqueça o Lula metalúrgico. Esqueça o Lula do PT.
Apenas veja o Lula como um brasileiro igualzinho a você.

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