Pequenas crônicas que retratam a realidade tanto dentro das escolas quanto dentro do Brasil, este meu Brasil brasileiro e bem-humorado Brasil...

Loading...

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Crônica da mágoa reprimida...

Claro que cada um tem sua identidade e assim se revela ao outro sem que isso seja impedimento para a harmonia. Os iguais às vezes se chocam, enquanto os diferentes se completam.

A mágoa dói mais em quem magoa do que naquele que sofre a injúria. E se assim não for, não vale nem a intenção de magoar, pois é ato que se reveste de uma inutilidade tamanha ao não atingir seu objetivo.

Quem magoa sem sentir a dor do próprio magoar acaba por fazer sua mágoa inútil. E os inúteis não serão inúteis apenas por momentos, mas por momentos serão inúteis para todo o sempre.

E os que se sentem inúteis e inutilmente não encaram a razão por sê-lo terão inutilizado sua utilidade e amargarão destino pior que a videira da Bíblia, pois a esta pelo menos foi propiciado um destino.

Quem magoa e sente a dor do magoar aprende a respeitar e a aceitar as posturas alheias, e então, nunca mais precisará se esconder no desejo de magoar alguém, pois mágoa reprimida é mágoa não concretizada, e portanto, inútil dentro da crucial inutilidade.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Há uma volta sempre...

Minha terra tem Palmeiras, que me encanta e me fascina. Que traz de ontem as glórias do sempre, marcando perceptíveis passos que se encaminham à vitória.

E a marcha desses passos, às vezes trôpegos como agora, só quedam para crescer com força, energia revitalizada no manto verde sagrado de Parque Antártica...

Dobramos os joelhos, sentimos o cheiro da grama triste a encher nossas narinas com uma dor mais atroz que a pior das dores atrozes nunca dantes vista, sentida ou imaginada.

E se nos partimos ao meio na tragédia anunciada, e se em cada metade que fica há fogo verde de esperança, viramos cinza ressecada pelo tempo, e das mesmas cinzas ressurgimos em passo de gigante.

Nossa queda é sempre gigantesca porque só um gigante pode cair com gigantismo. Mas os nossos voos são de colibri altaneiro, verde-sonho da esperança reconquistada na verde grama de nossos suspiros mais sublimes...

E o gol volta com força, e o grito escapa da garganta e podemos dizer de peito aberto: " O Verdão voltou... O Verdão voltou".

E voltou, sem mesmo ter ido. Pois para quem vai há sempre uma volta, mesmo que tenha ido sem mover palha alguma para estar ali...

E não nos esqueçamos: O Verdão é um grande rio que por onde passa, deixa também , amontoados, resíduos nocivos ao longo do seu curso, porque quem está conosco fica até o fim, e quem não está, abandonamos em cada margem de nosso roteiro, para que seja esquecido para toda a eternidade.

Assim seja...

Raul não morreu...

É isso. O Raul não morreu.
Porque um artista verdadeiro não morre nunca.

Artista é aquele que constrói. Que tira da imaginação um tijolo novo para acrescentar no pavio curto de nossa realidade.

E assim a realidade cresce fruto da intervenção do artista.

Rau não morreu. E se ele se foi, foi sem ir. E indo, nos deixou sua lembrança numa obra infinita que só os sábios podem compreender.

Mas artista nem sábio compreende.

Querer compreender o que leva um artista a fazer arte é querer buscar os motivos de sua dor. E a dor do artista não tem explicação. E os atos falhos de homem comum do artista são frutos de sua dor. E a dor do artista não tem cura. E por não ter cura, os atos falhos do homem comum que é o artista persistem em relevo somente para os insensatos. Para aqueles que não possuem sensibilidade alguma.

Botar na cruz é fácil. Bastam dois paus cruzados e alguns pregos. Agora, construir o que um artista como Rau é capaz de construir podem tentar mil anos que jamais irão conquistar destreza tamanha na arte.

E Raul não morreu. Sofreu sim, como todo homem comum, mas sobretudo fez crescer o nosso tempo com sua verve de arte fina, boa para ouvidos, olhos e sensações do senso são.

Rau não morreu. Toca, Raul...

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Soltas que me revelam...

"A caneta fere o papel e registra com sangue verbal as mordidas que a alma recebe do cotidiano. E esse cotidiano é feito das partes em que nos compomos. E se nos compomos em partes que se dilaceram, o nosso todo demora a ser recomposto. Se é que será recomposto...”
-----
“A escuridão é incompleta quando um raio de luz emerge do fim do túnel. Há pessoas que se apressam rumo à luz, outros retrocedem com medo do novo. E há também os que se despedaçam no meio do caminho. Um homem quebrado é como louça lançada com força ao chão: varrem-se os cacos para dentro dos sacos de lixo. E no lixo onde está, o que fermenta na mente não mente o infortúnio ”.
-----
“Um boi no pasto é apenas um boi no pasto.
Um boi em manada desvairada é estouro. E saiam da frente... Mas sempre há um berrante salvador... Pena que às vezes o sopro do berranteiro soa fraco, fragmentado, dividido, cavalgando as costas do vento".
-----
“O lobo sopra forte, uma, duas, três vezes, e não derruba a casa construída no rochedo. No entanto, não precisa nem soprar para botar abaixo os castelinhos de areia construídos por aqueles que nunca conseguem enxergar além dos olhos”
-----
“ A sapiência não tem preço. Mas há os que são ricos e os que são sábios e não necessariamente ricos. E há os pobres, mesmo que ricos...
E por fim há os pobres que são puramente pobres. Estes necessitam dos ricos para sobreviverem ( às vezes como escravos ), e necessitam dos sábios para se enriquecerem ( como gente )".

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Requentando um post

Ao tomar ciência dessa notícia da tentativa de agressão a Vagner Love, resolvi requentar um post que versa sobre a questão da intolerância e anestesia que vigoram nessa terra tupiniquim, onde muitos amores se tem por cá, como um Palmeiras a vicejar, mas tb muitas mazelas a se denunciar.


Entre isso e aquilo não é mais que isso...
(Publicado em 18.04.06)

Saque.
Coisa feia. Feia de existir. Feia de ver...
Caminhão atravessado na pista e uma multidão a depená-lo.
E tudo fica por isso mesmo...

Guerra. Coisa feia. Feia de existir. Feia de ver...
E um monte de mortos à toa. E tudo fica por isso mesmo...

Homem-bomba. Outra guerra. Feia de existir. Feia de ver.
E um monte de corpos esfacelados. Inclusive o do idiota maior.
E tudo fica por isso mesmo...

Meu time perde o jogo. Coisa feia. Feia de existir. Feia de ver.
E um monte de torcedores idiotas prometendo matar jogadores.
E tudo fica por isso mesmo...

Violência na escola. Aluno contra aluno.
Coisa feia. Feia de existir. Feia de ver.
E o sangue escorrendo do dente, e o outro com o dente aberto de tanto rir.
E tudo fica por isso mesmo...

Mais violência na escola. Aluno contra professor.
Professor contra aluno. E o diretor contra todos.
Coisa feia. Feia de existir. Feia de ver.
E um monte de estatística dizendo que a Educação está de vento em popa.
E tudo fica por isso mesmo!

A ética da paixão...ou Paixão tem ética?

Paixão é asa que rufla sem dono. Que tem trajetórias que a Razão não mede. Que sonha sozinha o que um coletivo não consegue e nem pode captar...

Paixão é um tiro no escuro. Uma bala perdida que não encontra o mar.

A paixão não tem um tempo marcado no relógio. Ela vem e vai na maior e desesperançosa de todas as independências. Paixão é um grito fortuito no vácuo supremo das emoções mais incontidas.

A paixão, mais do que um beijo na flor da laranjeira, é uma laranjeira com flor na porta do silêncio, pois a paixão não fala, mas age como se falasse todas as línguas da Terra.

E o futebol é isso. Paixão arraigada na pele, dilacerando sentidos e provocando as mais banais dissenções. Por isso, terá ética a paixão? Ora, se ela é um porto inseguro imerso no mais íntimo do ser, como materializar isso em cálculos aritiméticos, geométricos, obstétricos, genéticos ou alucinéticos?

E se torce para o próprio time perder porque a derrota do próprio time é vitória que se marca contra o maior adversário. E o adversário suscita a Razão quando nociva a ele é a situação, mas também é a paixão absoluta quando o adversário é o outro.

Assim, não vamos misturar as coisas. Não vamos falar de caráter. De hombridade. De honra. A paixão é muito maior que isso desde que o mundo é mundo.

E se futebol é apenas uma mera diversão, vamos continuar nos divertindo e nos regozijarmos quando lá pelos 3 minutos de acréscimos nosso time marcar um gol de mão e ainda o avante no mais vergonhoso dos impedimentos.

Porque tudo o mais é mera hipocrisia, enquanto a paixão for... paixão.
 
Tema para Blogger Mínima 233
Original de Douglas Bowman | Modificado por :: BloggerSPhera ::