Características do personagem:
"É lugar-comum dizer que a ocasião faz a traição. Para Quinco Zanco, porém, uma traição era mais que uma simples questão de ocasião. Segundo ele, o bom traidor, aquele que concatena, planeja, e que meticulosamente produz a teia de envolvimento do traído, é o sujeito que antecipa a ocasião, que a enxerga antes de ela acontecer.
Dessa forma, as circunstâncias que propiciam a traição não são frutificadas pela ação da casualidade, mas alicerçadas milimetricamente pela mente privilegiada do bom traidor. Em suma, Zanco não era um traidor por acaso, mas um traidor que assim se fez ao sabor da própria intenção de trair.
Arte. Arte pura.
Zanco era um artista da traição. Conseguia articular mil malabarismos para emplacar uma dissimulação perfeita que levasse suas vítimas ao pleno engodo e sem que houvesse percepção do causador do malefício. Afinal, traição só pode trazer malefícios...
E no exercício de sua arte, razão e emoção se revezavam em alguns casos, já em outros se misturavam homogeneamente, mas sempre no objetivo de produzir a verossimilhança necessária que faz parecer verdade aquilo que é simples imaginação, e que tira da fantasia o graveto bruto que incendeia o nascer de nova realidade.
Assim, revivia Aristóteles no sentido de recriar a realidade circundante que o interessasse, e ao mesmo tempo criava a suprarrealidade que o levaria à meta traçada. Fazia a vida imitar a Arte e fazia a Arte imitar a vida. Esse era seu prazer. Principalmente quando vinha acompanhado de ouro.
Muito embora essa fosse sua característica principal e que envolvia praticamente quase que a totalidade de seu modo de ser, Quinco Zanco também sabia fazer-se leal. Não que mantivesse alguma espécie de preocupação com tais rótulos, mas sua sensibilidade, embora diminuta ao extremo, não morria na primeira página.
Amantes Virtuais
3 meses atrás

Comentários:
Postar um comentário