(Para os novos leitores deste blog. Post publicado em 16.03.2005):
É... Naquele 31 de março o Jango caiu..eu caí da goiabeira!
Uma coincidência sem a mínima importância para mim naquele momento. Eu era ainda muito criança e aquele 31 de março aparentemente pouco representou para aquele menino...
Mas tenho em mim que por causa daquilo que veio depois é que nós estamos passando na Educação de hoje a maior depressão de todos os tempos.
E isso porque os governantes que ora aportam nos gabinetes oficiais são praticamente os mesmos que lideraram movimentos de encher ruas e praças, e correr da polícia, e morrer nos abatedouros ensombrados da ditadura militar...
E esses mesmos, e os correlegionários desses, e os amigos desses correligionários, na ânsia de liberdade, na ânsia de ser livre, são os mesmos que lançaram cobras e lagartos contra o modo tradicional de educar praticado antes e durante aquele cabalístico período. E não sem razão.
Onde há chicote, que se protejam as costas...
Nas salas de aula, a pressão de professores e direção sobre alunos era a mesma que os militares exerciam na sociedade. Mão de ferro, mão dura, mão que batia primeiro para perguntar depois.
Lembro-me de um professor que carregava uma régua grande, de 60 cm, e que acareava alunos um por um sobre temas dados em aula. Se a resposta não fosse a que ele esperava, pronto, reguada nas costas, não só naquele que errou, mas em todos da sala. A única diferença desse professor com o regime é que ele perguntava primeiro para depois bater...
Um outro professor pegava o próprio filho, também aluno, e na frente de todos, erguia o menino pelas orelhas e em seguida, descendo-o ao rés do chão, metia-lhe uma rasteira. Erguia de novo, nova rasteira... Desse professor, tenho uma dedicatória no livro " Sinbad, o Marujo", com o qual fui presenteado por ter tirado o primeiro lugar em 1968. " Como prêmio pelos seus esforços", diz a dedicatória, antes da assinatura do professor.
Por essas e outras, lutar pela mudança na Educação era necessário. E então sobrevieram idéias, propostas das mais diversas. Quando a ditadura acabou, veio o tempo de praticar as velhas teses... Só que essas teses eram mesmo velhas. O mundo mudou...
5 anos depois caía o muro de Berlim, e os novos no poder começaram a praticar medidas educacionais que poderiam ter dado certo se aplicadas na época certa. Mas não num mundo que preparava sua globalização cultural via Internet.
E assim, hoje temos dentro de sala de aula alunos que são completamente diferentes do que nós na época em que apanhávamos do professor. Se não se tiver um jogo de cintura mais ou menos equilibrado, o aluno é quem bate. E se não bate fisicamente, bate com a indiferença. Bate com a afirmação de que essa educação não tem nada a ver com ele. Mas, cada vez mais escolas, cada vez mais prédios, cada vez mais dinheiro gasto, e isso tudo apenas para engordar estatísticas.
Inclusive, gasta-se até para pagar famílias que botam os filhos na escola... Muitos lutaram para que a democracia viesse. Muitos morreram para que a democracia fosse o leme do nosso país...E essa luta foi importante.
Hoje sou professor. Tenho consciência de que a matéria que ensino é importante para a formação do aluno, em todos os aspectos de sua vida. Mas terá ele essa consciência? Talvez até tenha, mas para que relevar essa consciência se viver alienado sofre-se menos?
É...a democracia é necessária. Dá direito a todos de pensar, dizer, fazer o que quiser dentro do próprio círculo de sua ação. E ela é tão democraticamente boa que nos dá o direito de até ser imbecil...
Amantes Virtuais
3 meses atrás

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